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14 de fevereiro de 2016

Combate ao Aedes é tarefa de todos, diz ministro, em Vitória

“Nós precisamos que a população brasileira tenha a noção do perigo do nosso adversário”. Com essa mensagem, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, deu início à ação #ZikaZero, promovida pelo Governo Federal em Vitória, Espírito Santo. No discurso de abertura do Dia Nacional de Mobilização e Combate ao Aedes, em frente à Capitania dos Portos, o ministro convocou agentes da defesa civil, militares e sociedade a lutar para impedir a proliferação do mosquito no país. Ele alertou ainda que dois terços dos focos do Aedes aegypti estão nas casas das pessoas.

– É importante que a população tenha consciência que pode estar dormindo com o inimigo. E não é uma tarefa para 99%. É uma tarefa para 100% dos municípios. É importante esse combate cotidiano – afirmou Pansera.

Ele alertou ainda que cada fêmea do Aedes Aegypti tem a capacidade de colocar até 400 ovos em diversos lugares. O ministro explicou que onde a fêmea deposita os ovos, se não for cuidado, os ovos podem ficar até um ano guardados no seco aguardando que venha água, umidade, para eclodir e virar o mosquito.

– Não é uma tarefa fácil. Esse é um combate contra um inimigo da humanidade. Esse mosquito se adaptou muito bem ao território brasileiro e hoje atinge mais de 150 países. Mais de 3 bilhões de pessoas estão sujeitas à ação do Aedes Aegypti – disse.

Além da capital Vitória, o ministro Celso Pansera visitou casas e estabelecimentos comerciais em Vila Velha e Cariacica, onde conversou com moradores, distribuiu cartilhas e fez vistorias para localizar eventuais criadouros. Uma das residências visitadas em Vitória foi a da dona de casa Vandete Pires, de 69 anos.

– Eu limpo a casa todo dia. Moro sozinha, eu passo pano, limpo tudo todo dia. Achei ótima essa ação do governo para orientar mais a gente – disse Vandete.

Em Vila Velha, Pansera visitou casas no bairro Cobilândia. Num dos imóveis, agentes de saúde e militares encontraram diversos focos da dengue. Um caminhão e uma retroescavadeira da prefeitura foram utilizados para retirar todo o lixo encontrado no local, como duas geladeiras velhas, pneus, pedaços de máquinas quebradas, garrafas e latas vazias. Já na residência da família Spinasse, localizada no mesmo bairro, os agentes encontraram um ambiente bem cuidado e livre de insetos, com reservatórios de água bem tapados, vasos de plantas sem água e até uma piscina de tartaruga protegida por tela para impedir que se transforme em criadouro de mosquito.

– Temos uma piscina de tartaruga há mais de seis meses coberta e lavada toda semana. Eu acho que esse cuidado é de cada um. A nossa região é um pouco diferenciada. Temos duas bacias onde caem esgotamento que é necessário drenagem, com isso o volume de mosquito aqui é gigantesco –  afirmou o gerente administrativo, Fernando Augusto Spinasse, cujas  esposa e as duas filhas já tiveram dengue.

Esforço nacional

Todo o Governo Federal foi mobilizado para a ação deste sábado, em mais de 350 municípios. Cerca de 200 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica, junto com agentes dos estados e municípios, foram às ruas orientar a população sobre o combate aos criadouros do mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. Cerca de quatro milhões de panfletos informativos estão sendo distribuídos durante a ação.

Celso Pansera destacou ainda que o MCTI está investindo em pesquisas para elaborar uma vacina contra as doenças causadas pelo Aedes Aegypti.

– Nós estamos formatando um pacote para apresentar ao governo. Já apresentamos a primeira parte junto com Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantã, alguns estados, governo dos Estados Unidos e União Europeia para criar vacinas eficientes que a gente consiga combater o vírus. É um esforço internacional – ressaltou.

No período de 4 a 23 de janeiro de 2016, foram registrados 3.676 casos suspeitos de dengue no Espírito Santo. Isso representa um aumento de 442% se comparado ao mesmo período de 2015. Mas nenhuma morte por dengue foi registrada no período.

O vice-governador do Espírito Santo, César Colnaghi, reforçou que o governo está fazendo sua parte.

– Adquirimos inseticidas, compramos repelentes, tomamos a iniciativa para não perder tempo desde o início da mobilização. Mas queremos ganhar a consciência das pessoas para essa luta geral que já passa de 30 anos. A doença do zika vírus é gravíssima, é pior que a poliomielite. Não tem como, com todo esforço do nosso município combater esse mosquito, sem a mobilização de todos diariamente – disse.

Dos 78 municípios previstos para serem visitados no estado, 59 já iniciaram os trabalhos. Mais de 360 mil imóveis já foram visitados, o que representa 27,3% do total de 1,3 milhão de imóveis. Em janeiro, o Ministério da Saúde repassou R$ 2,9 milhões de recursos extras para as ações de vigilância.

O prefeito de Vitória, Luciano Resende, lembrou que doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti como o zika vírus não causam sintomas em 80% das pessoas infectadas.

– Em Vitória estamos trabalhando diariamente com a mobilização da sociedade e inclusive atuado com modificação da legislação em depósitos de lixos na cidade. Estamos vendo na cidade uma cooperação maior no controle do espaço urbano – disse.