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1 de setembro de 2017

Importância da energia nuclear para recuperação do Rio foi tema de seminário na Alerj

Cada real investido na retomada das obras da usina nuclear de Angra 3, que estão paralisadas, representariam um efeito multiplicador no PIB nacional de duas vezes o que foi gasto. Os dados, que fazem parte de um estudo desenvolvido pela Eletronuclear em parceria com a FGV, foram apresentados no seminário “Contribuição da indústria nuclear para a recuperação econômica fluminense”, realizado pelo Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado, em parceria com a Associação Brasileira para Desenvolvimento Atividades Nucleares (Abdan), na última terça-feira, dia 29, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj).

Os números do efeito multiplicador do investimento, com o aumento da renda decorrente da criação de empregos, foram divulgados pelo diretor técnico da Eletronuclear, Leonam Guimarães. Ele falou sobre o papel do Rio, único estado brasileiro que possui usinas nucleares, e destacou a necessidade do debate no parlamento.

“A esfera estadual precisa se envolver mais nessa questão. Os principais elos da cadeia nuclear estão sediados no Rio. Tirando a atividade de mineração que hoje são realizadas na Bahia, todas as demais etapas se encontram, em Resende, na parte do combustível, e em Angra dos Reis, na geração propriamente dita”, explicou.

O deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ), que participou do encontro, defendeu a retomada das obras de Angra 3, que custariam entre R$ 15 e R$ 17 bilhões. “Desmobilizar tudo o que já foi feito custaria R$ 12 bilhões. Não tem sentido retroceder e não retomar a construção, porque gera impostos, gera riquezas e nos dá autossuficiência na produção de energia nuclear”, afirmou.

Presidente em exercício da Alerj, o deputado André Ceciliano (PT) também declarou apoio à medida. “Angra 3 é fundamental. O potencial é imenso, não só para o Rio, mas para o Brasil. É preciso olhar com mais atenção à questão, já que pode ser um resgate da economia do estado”, defendeu o presidente em exercício da Alerj, deputado André Ceciliano (PT).

Submarinos

Durante o encontro também foi apresentado, pelo diretor-geral de desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, o Almirante de Esquadra Bento de Albuquerque, o programa de desenvolvimento de submarinos, sediado na cidade de Itaguaí, que é associado ao programa nuclear da Marinha. O programa teve início em 2008, com a assinatura do acordo estratégico entre o Brasil e França. As obras começaram em 2010 e ano que vem será entregue a primeira embarcação – serão quatro convencionais e uma de propulsão nuclear.

O almirante falou sobre o impacto econômico do projeto. “No complexo de Itaguaí já foram gastos sete bilhões de reais. Sendo que 90% desses recursos foram pagos para fornecedores nacionais. Só o estado do Rio tem cerca de 360 empresas envolvidas nesse empreendimento, que gera quase 18 mil empregos diretos e indiretos”, destacou.

Também estiveram no seminário integrantes da Eletronuclear, dos Estudos Econômicos e Energéticos da Empresa e Pesquisa Energética (EPE), das Indústrias Nucleares Brasileiras (IBN), da Firjan, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de JAneiro (CREA-RJ) e o prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão.

Plano Energético

Presidente da Abdan, Celso Cunha defendeu ainda a manutenção do Plano Energético Brasil 2050, que prevê a construção de quatro novas usinas até 2030 e mais oito novas até a metade deste século, totalizando 15 centrais nucleares brasileiras. “A matriz energética, que é essencialmente hídrica passa por um problema grave que é a falta de água. Existem uma série de usinas hidrelétricas que não produzem 1kW há mais de dois anos, e não existe mais espaço para expansão. É a hora das usinas nucleares”, explicou.

Cunha afirma que além de ser uma energia de base limpa, sustentável e segura, em comparação com outras termelétricas, a geração de energia nuclear também não é afetada pelas variações climáticas, como no caso da eólica e hidrelétrica. “Entre as fontes de geração de energia, a que tem a menor emissão de gás carbônico é a nuclear, com 12g por kW/hora, contra 820g kW/hora do carvão, por exemplo”, defendeu.

Histórico das usinas

Em 1972 começaram as obras de construção de Angra 1, que foi inaugurada apenas em 1985. Nos anos 1980 as atividades de desenvolvimento de Angra 2 começaram a se desenvolver, mas a usina só começou a operar em 2011. Já a central de Angra 3 teve suas obras iniciadas em 1984, mas paralisadas dois anos depois. Em 2010, a construção foi retomada, mas interrompida novamente em 2015. Atualmente são executadas apenas atividades de preservação das instalações, estruturas e equipamentos da unidade. Não há previsão de retomada efetiva das obras.

A expectativa da Eletronuclar é que, caso as obras sejam retomadas até o segundo semestre de 2018, as atividades comerciais da usinas comecem em dezembro de 2022.

Fonte: Alerj

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