Reunião MCTI

16 de dezembro de 2015

Ministros da Ciência e da Saúde reúnem institutos para estudar zika vírus

Os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, e da Saúde, Marcelo Castro, reuniram, nesta terça-feira, dia 15, institutos de pesquisa, agências de financiamento e especialistas de diversas regiões do Brasil para dar origem a um esforço comum em busca de soluções para combater o mosquito Aedes Aegypti e a transmissão de dengue, zika vírus e febre chikungunya.

– A ideia é juntar experiências para gerar estudos em três eixos: combate ao vetor, desenvolvimento de vacinas contra as doenças e um programa de compreensão daquilo que pode se passar na vida dos bebês que nascerem com microcefalia, ou seja, como se assistir as famílias, para que possamos minorar o impacto disso na saúde dessa geração de crianças. Assim como na questão da fosfoetanolamina, nós percebemos que, se os ministérios tiverem uma ação organizada, do ponto de vista da pesquisa, podemos potencializar as iniciativas que existem no Brasil hoje – disse Pansera.

O grupo deve se reunir novamente na próxima semana, já com a presença da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (SCTIE), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia Nacional de Medicina (ANM).

– Estamos buscando redes de pesquisa e fontes de financiamento para unificar tudo em um grande esforço para a ciência brasileira caminhar no mesmo sentido, a fim de evitar retrabalho, sobreposição de tarefas, atrás de uma solução para tão grave problema de saúde – detalhou.

Na visão de Castro: “o que nós precisamos verdadeiramente é de desenvolver novas tecnologias para enfrentar esse problema de epidemia tão grave que o Brasil está vivendo, uma das maiores de toda a nossa história”.

O ministro da Saúde citou dados do último boletim da pasta: até sábado, dia 12, havia 2.401 casos suspeitos de microcefalia em 549 municípios de 20 unidades da federação. Desse total, 134 têm relação confirmada com o zika vírus.

Ele recordou avanços no desenvolvimento de vacinas contra a dengue, pelo Instituto Butantan e pela empresa Sanofi Pasteur, ambas parcialmente aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), em agosto e outubro.

– E agora nós temos que começar imediatamente as pesquisas para enfrentar o zika vírus, para o qual temos um universo definido a aplicar, as gestantes, porque os transtornos são gravíssimos – defendeu Castro.

Caminhos

O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, informou que o centro já iniciou a fase 3 do ensaio clínico da vacina contra a dengue, após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta semana.

– Nós vamos testar em 14 laboratórios de todo o Brasil, com muita ênfase no Nordeste e no Norte, e a proposta é envolver até 17 mil voluntários. No que se refere ao zika, a gente vê uma enorme falta de informação científica sobre o vírus. Reverter esse cenário é importante para delinear uma tática de vacina – contou.

Segundo o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Jailson de Andrade, os integrantes do grupo recém-formado têm grande experiência com estudos relacionados ao mosquito e às doenças.

Já o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), Antônio Nardi, reforçou a necessidade de combater o vetor.

– Precisamos reunir todos que tiverem alguma tecnologia exitosa, somando-se àquelas que estados, municípios e União já vêm fazendo para controlar o Aedes Aegypti, no sentido de exterminarmos logo a plêiade de doenças que ele transmite – sugeriu, ao citar experiências com mosquitos transgênicos e a bactéria Wolbachia pipientis.

Também participaram das discussões em Brasília os diretores do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do MS, Cláudio Maierovitch; da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Rondônia, Rodrigo Stabeli, e do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos; o presidente da Biofábrica Moscamed Brasil (BMB), Jair Virginio; a vice-diretora de Pesquisa, Referência e Coleções da Fiocruz no Paraná, Claudia dos Santos; o coordenador-geral de Biotecnologia e Saúde do MCTI, Luiz Henrique do Canto, e os pesquisadores Luciano Moreira, da Fiocruz em Belo Horizonte, Margareth Capurro-Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Sequerra e Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe/UFRN), e Divino Valero Martins, da Diretoria de Vigilância Ambiental do Governo do Distrito Federal (Dival).

Da capital fluminense, por videoconferência, contribuíram para o debate os presidentes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), Wanderley de Souza, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Augusto Raupp, e o diretor científico da Faperj, Jerson Lima.

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