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29 de agosto de 2016

Proposto por Pansera, seminário discute a falta d’água na Baixada Fluminense

O descaso de sucessivos governos e uma série de investimentos equivocados fizeram o problema do abastecimento de água na Baixada Fluminense perdurar até os dias atuais. Essa foi uma das importantes questões debatidas no seminário “A crise hídrica e suas consequências na Baixada Fluminense”, realizado na Câmara Municipal de Duque de Caxias, na manhã desta segunda-feira, 29 de agosto.

– Estamos na segunda década do século 21 e ainda não fomos capazes de resolver o problema do abastecimento de água na Baixada Fluminense. Precisamos unir esforços e trabalhar bastante para solucionar a questão e dar mais dignidade a quem passa por dificuldades para beber um simples copo de água potável – ressaltou o deputado federal Celso Pansera.

Proposto pelo parlamentar, que preside a Comissão Especial da Crise Hídrica do Brasil da Câmara dos Deputados, o seminário contou com a participação do presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), o engenheiro Jorge Briard, a subsecretária de Segurança Hídrica e Segurança das Águas da Secretaria de Estado do Ambiente, Elaine Barbosa, o engenheiro Flávio Guedes, que é servidor da Cedae, e do vice-presidente da Agenda 21 Saraiva/Campos Elíseos, Luciano Pereira.

Briard começou falando sobre o Programa de Abastecimento de Água para a Baixada Fluminense, que incluiu a construção da Estação de Tratamento de Água Novo Guandu, que aumentará a oferta de água (serão 12 mil litros por segundo) para a região. Entre outras ações desenvolvidas para melhorar o abastecimento, estão a construção de 17 novos reservatórios e reforma de outros nove que hoje estão fora de operação, 760 km de troncos e rede distribuidora e instalação de mais de 100 mil novas ligações prediais.

O presidente da Cedae também alertou aos presentes que as crises hídricas, como as de 2014 e 2015, deverão ser cada vez mais recorrentes em função da forma nefasta com que o homem vem tratando o meio ambiente.

– Estamos encurtando os espaços entre esses eventos e cada vez mais eles surgem com maior gravidade. O desmatamento, a poluição, a carência de planejamento dos assentamentos urbanos, entre outros fatores, influencia o clima de forma muito ruim – frisou Jorge Briard.

A subsecretária de Segurança Hídrica e Segurança das Águas, Eliane Barbosa, chamou atenção para importância da segurança hídrica, que é a garantia da existência de água em quantidade e qualidade para o abastecimento humano em situações de seca, estiagem ou de crises.

– A Região Sudeste experimenta, desde 2014, um período de estiagem severa, com os piores índices em 85 anos. O fenômeno reforçou a necessidade de aumentar a segurança hídrica do Estado com enfoque na gestão da escassez de água, priorizando iniciativas em áreas estratégicas – afirmou Eliane.

Servidor da Cedae, o engenheiro Flávio Guedes destacou que o Poder Público e a sociedade, de forma geral, devem tomar medidas urgentes para preservar as nossas fontes de abastecimento. Ele explicou que o desmatamento e outras agressões às bacias do Rio Paraíba do Sul, Ribeirão das Lajes e Acari podem tornar impossível a utilização da água deles para consumo humano.

Indignado, o vice-presidente da Agenda 21, Luciano Pereira, foi categórico em denunciar que a falta d’ água na Baixada Fluminense é um problema mais político do que técnico.

– Difícil acreditar que os moradores de Campos Eliíseos, que é um polo petroquímico, não tenham água em suas casas. Inacreditável que uma tubulação leve água para Reduc (Refinaria Duque de Caxias), e ninguém tenha água potável para beber em casa. Eu preciso acreditar que esse movimento não pare por aqui – ressaltou.

PRIVATIZACÃO DA CEDAE

A privatização da Cedae, empresa responsável pelo saneamento no Rio, também foi discutida no seminário. Com o agravamento da crise, a venda da companhia passou a ser cogitada como uma possível alternativa para encher o cofres do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Jorge Briard, presidente da Companhia, e os demais palestrantes são contrários à medida.

– O controle de saneamento do Rio de Janeiro deve permanecer público – afirmou Briard.

O deputado Celso Pansera fez coro à fala, afirmando ser contra a privatização da Cedae.

O seminário desta manhã foi a última reunião externa da Comissão Especial da Crise Hídrica do Brasil da Câmara dos Deputados. Ainda este ano, o deputado federal Givaldo Vieira (PT-ES) vai finalizar o relatório. As proposições não têm força de lei, mas podem servir para fundamentar políticas públicas e outras ações.

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