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20 de dezembro de 2017

Seminário discute a diversificação do uso da energia nuclear

A utilização pacífica da energia nuclear para o desenvolvimento de tecnologias para setores da atividade econômica e de áreas como a Saúde foram discutidas em um seminário realizado, no último dia 18, no Teatro do Espaço Z, em Resende. O evento, que tem como tema “Desenvolvimento tecnológico e econômico sustentável para o Rio de Janeiro”, foi agendado por meio de um requerimento do deputado federal Celso Pansera e reuniu autoridades do Poder Público municipal e representantes da Marinha do Brasil, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).

O deputado Celso Pansera destacou que o foco do encontro está na “defesa do desenvolvimento sustentável da indústria nuclear a fim de oferecer alternativas para a crise econômica e gerar emprego”. Pansera apontou ainda que além da discussão em torno da redução da dependência da indústria do petróleo, a ampliação da energia nuclear aborda ainda a importância dentro do campo da saúde, setor que utiliza intensamente esta matriz energética, tanto para tratamentos de diversas doenças, quanto para a realização de diagnósticos.

“A indústria nuclear tem um espaço econômico muito grande no mundo. E como o Brasil é o detentor do quinto maior estoque de urânio mineral do mundo e domina todo o ciclo de enriquecimento de urânio, nós podemos transformar o Brasil em um grande exportador de urânio e outros produtos derivados”, disse o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Dilma Rousseff e membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

Para o diretor de Desenvolvimento Nuclear da Marinha, o contra-almirante André Luís Ferreira Marques, o setor de defesa apresenta demandas para que a indústria possa se estruturar a longo prazo. Ele destacou que o Brasil desenvolve projetos na produção de turbinas e equipamentos para submarinos, enriquecimento de urânio, dessalinização de água e aços especiais. O contra-almirante defendeu o uso da medicina nuclear para melhoria da saúde dos brasileiros e contou que o país já desenvolve um reator para a produção de radiofármacos. Pesquisas projetam o uso do urânio também em processos de dessalinização da água, o que poderia ser útil para a região semiárida do Brasil.

Representando no seminário o presidente da INB, Reinaldo Gonzaga, o diretor técnico de Engenharia, Álvaro Luiz de Souza, frisou que a sustentabilidade da INB depende das usinas nucleares de Angra dos Reis e que o país precisa diversificar a sua tecnologia nuclear para avançar para outros setores.

Para reforçar a importância da indústria nuclear para a economia do país, o diretor da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, observou que somente as usinas em Angra dos Reis empregam mais de três mil pessoas e geram cerca de R$ 4 bilhões em impostos. “É um esforço que temos que fazer para alavancar este setor e valorizar a importância dele para o país”, disse.

O prefeito e médico oftalmologista, Diogo Balieiro, exemplificou a importância da tecnologia nuclear ao lembrar que quando ainda era estudante de Medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), acompanhou os atendimentos no Hospital Universitário Pedro Ernesto dos pacientes para cintilografia miocárdia, exame restrito ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Percebi o quanto é avançada, importante e benéfica para a medicina moderna a tecnologia desenvolvida naquele momento”, disse o prefeito destacando a presença na INB em Resende. “É uma empresa parceira no município e nos apoia mantendo um leito de CTI no Hospital de Emergência, o que muito tem beneficiado no atendimento à população”, afirmou.

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