Sirius

17 de fevereiro de 2016

Sirius coloca Brasil na vanguarda da pesquisa científica, diz Pansera

Cumprindo compromissos em Campinas, São Paulo, na última terça-feira, dia 16, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, conheceu as obras do projeto Sirius, uma fonte de luz síncrotron de quarta geração que será a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil.

Pansera chegou a fazer um sobrevoo na área para ter dimensão do projeto, em construção no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Para o ministro, o Sirius coloca o país na vanguarda da pesquisa científica.

– O Sirius é um projeto extraordinário que contribuirá profundamente com o desenvolvimento nacional. Fiquei muito impressionado com o que vi nas obras e no CNPEM, em especial com a qualidade dos equipamentos e da equipe técnica. Também fiquei muito satisfeito com a juventude dos pesquisadores, que mostra uma importante renovação do quadro científico brasileiro”, disse.
Pansera também falou sobre o zika vírus. Segundo ele, o CNPEM está trabalhando nas pesquisas que buscam a diferença molecular entre o zika e a dengue.

– Como todo o governo, estamos empenhados no combate ao zika e os testes feitos aqui no CNPEM podem contribuir com pesquisadores de todo mundo – afirmou.

O diretor do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), Kleber Franchini, explicou os esforços do CNPEM no combate ao zika.

– Trabalhamos em várias frentes, desde a produção de insumos até a coleta de informações sobre o zika. Essa pesquisa destacada pelo ministro pode auxiliar no desenvolvimento de testes confiáveis para a detecção dos vírus.

Sirius

Planejado para colocar o Brasil na liderança mundial de geração de luz síncrotron, o Sirius foi projetado para ter o maior brilho dentre todos os equipamentos na sua classe de energia. Ele abrirá novas perspectivas de pesquisa em áreas como ciência dos materiais, nanotecnologia, biotecnologia, física e ciências ambientais.

– O projeto é excepcional, em especial na dimensão do desafio unindo pesquisa e engenharia. Na construção do nosso primeiro síncrotron havia muita desconfiança, mas hoje contamos com um otimismo muito grande da comunidade científica brasileira. Ele terá um papel fundamental no desenvolvimento da tecnologia nacional – destacou o diretor do CNPEM, Carlos Américo Pacheco, que acompanhou o ministro Pansera na visita.

A estrutura em construção no CNPEM inclui um conjunto de aceleradores de elétrons, estações experimentais, chamadas de linhas de luz, e um prédio que abrigará todo esse complexo. Os aceleradores foram projetados com novos conceitos ainda não utilizados no mundo, e seu acelerador principal, com energia de 3 GeV (giga eletron-volts), terá 518,4 metros de circunferência e poderá comportar até 40 linhas de luz.

A estrutura está 19,2% concluída, com a primeira fase já completa e término previsto para 2018. Até o fim do ano deve ser concluída a entrega dos ímãs quadrupolos do sistema de pré-aceleração (booster) do Sirius pela empresa parceira do LNLS no fornecimento dos magnetos do novo síncrotron, do Acelerador Linear (Linac) e dos protótipos das estações experimentais do Sirius. Assim, diversos subsistemas do Sirius terão a sua produção iniciada.

Laboratórios

Além do diretor do CNPEM, o diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) e coordenador do projeto Sirius, Antonio José Roque da Silva, e o vice-prefeito de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, acompanharam o ministro na visita aos laboratórios de alta tecnologia, que são abertos à comunidade científica e empresarial.

A visita começou pelo LNBio, dedicado à pesquisa em biotecnologia e ao desenvolvimento de fármacos contra o câncer e doenças cardiovasculares, além de outras enfermidades. Recentemente, o LNBio concluiu a instalação da Unidade de Descoberta e Desenvolvimento de Fármacos, uma plataforma de formatação única da América Latina, que auxilia na tradução da pesquisa básica em biociências às demandas por novas moléculas e métodos terapêuticos.

Em seguida, a comitiva visitou o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que atua na produção de energia, em especial do etanol de cana-de-açúcar. Aberto a usuários externos, o local busca contribuir para a competitividade brasileira na produção e conversão industrial de cana-de-açúcar em combustíveis, eletricidade e compostos derivados da química verde.

Depois foi a vez do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), que utiliza a nanotecnologia para atender às necessidades da agricultura, indústria e serviços. O laboratório atua no desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis. A visita terminou no LNLS, responsável pela operação da única fonte de luz síncrotron da América Latina.