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24 de janeiro de 2017

Uerj além da crise

Educação requer pensar como estadista, e não apenas como governo

POR TATIANE ALVES O GLOBO – 24/01/2017

O espelho estilhaçado da crise produz reflexos divergentes e muita insatisfação para quem fixar o olhar buscando compreender o que está acontecendo a partir, exclusivamente, desse caleidoscópico cenário. Embora não se possa desconsiderar as dimensões aparentes, é preciso perceber além.

Diversas agências de avaliação, nacionais e internacionais, confirmam que a Uerj está entre as maiores universidades da América Latina. Existe há mais de 60 anos e tem em seu corpo praticamente todas as áreas do conhecimento. Trata-se de uma poderosa fonte ao alcance do governo no que diz respeito ao fortalecimento e ao desenvolvimento de políticas públicas.

Excelência em formação de quadros; podemos dizer que o coração da Uerj bate em função de formar pessoas com perfil profissional de alto impacto. É por isso que a universidade tem unidades mediadoras, destacando-se o Hospital Universitário Pedro Ernesto, que garante formação profissional a partir de procedimentos que beneficiam a sociedade e, com o mesmo sentido de qualidade e mérito, o Instituto de Aplicação Fernando Roberto da Silveira (CAp/Uerj).

Em pesquisa, ela se destaca em temas de alta sensibilidade para a ampliação da cidadania, como segurança alimentar e nutrição, telecomunicação, biotecnologia para oncológicos, meio ambiente, solos, questões urbanas, artes, letras, esporte, direito, legislação e tantas outras, inumeráveis.

A extensão universitária na Uerj, com seus mais de 600 projetos, espalhados por praticamente todo o estado, vem garantindo a presença da educação superior pública em cidades que clamam por uma maior integração junto a incentivos que possam trazer melhores condições de vida para aqueles que trabalham e habitam o interior. Destacam-se os projetos com comunidades ribeirinhas, atenção à pessoa idosa, além da participação e parceria técnica em projetos de engenharia, preservação ambiental, cultura, educação e saúde.

Sabemos, o estado está falido, e tudo isso significa investimento. Todavia, é imperioso indagar o que há de comum entre a existência da Uerj, o futuro e o necessário ressurgimento do Estado do Rio de Janeiro a partir de um projeto legítimo de reinvenção da sua economia.

Enxergar a Uerj para além da crise requer dos nossos governantes entendimento da transitoriedade dos atuais problemas, a importância de fomentar ferramentas adequadas a cada desafio do presente e, sobretudo, o reconhecimento de que educação requer pensar como estadista, e não apenas como governo.

Precisamos inverter a lógica que nos aniquila, olhar noutra direção e recorrer a esse manancial de capacidades disponíveis a favor do futuro. A Uerj quer fazer a sua parte e cumprir o seu papel estratégico mas, para isso, é condição imediata a devolução dos direitos, da isonomia, da remuneração integral do nosso trabalho, daquilo que nos tem sido usurpado em favor de tentativas infelizes de se remendar estilhaços de um espelho.

Tatiane Alves é professora da Uerj

 Link matéria: http://oglobo.globo.com/opiniao/uerj-alem-da-crise-20815706

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